Esse terceira excentricidade foi bem excêntrica mesmo. Iniciamos a terceira aula da matéria Didática e Práxis Pedagógicas com uma dinâmica bem diferente. Começamos fazendo um circulo –se é que posso chamar aquilo de circulo –. Após feito este projeto de roda, fomos instruídos a cantar e “dançar” uma antiga cantiga de roda: Escravos de Jó. Fazendo passos com o nível de dificuldade incrível, ao fim de tudo entendemos que esse processo de roda -> canto -> dança foi para uma maior interação da turma, diminuição da vergonha (caso ocorra) que possa surgir e uma possível descoberta de característica próprias de cada um.
Passado esse momento de descontração, começamos e brincar com uma coisa séria. A brincadeira era uma discussão sobre o papel do professor/educador. O ponto de partida para a discussão sobre este assunto foi um texto que nossa professora mandou ler. Este texto aborda a historia de Juvanny, uma mulher pobre, moradora de Santiago do Iguape (uma cidade bem pequena no interior da Bahia), que só tinha estudado até a sétima série. Vocês devem estar se perguntando: “Sim, e daí? Porque dão tanta importância a essa mulher?”. A importância que ela teve não foi para mim, nem para você que provavelmente está lendo. Esta mulher mudou, ou tentou mudar para melhor, a vida de várias crianças dessa região. Ela, leiga, como se refere, abre uma escola. Aí vem outra pergunta: “Só porque ela abriu uma escola ela é tão valorizada assim?”. Não só por isso. Ela não simplesmente abriu uma escola, ela ensinou nessa escola. Ela construiu a mesma com seu dinheiro, seu esforço. Fazia as merendas na sua casa, com sua comida. E não pense que ela tinha dinheiro não, porque ela não tinha. Ela se privava de varias coisas para consolidar seu sonho: ver aquelas crianças melhores que ela. Ela ensina a seus alunos, mas aprende com os mesmos.
Esta mulher guerreira foi entrevistada pelos professores e alunos da UFBA e desse texto, que é a entrevista, podemos extrair vários pontos sobre as características que ser professor/educador tem. Pontos que podemos citar sobre esta questão: ser professor/educador não é simplesmente passar conhecimento, mas se preocupar com a formação do aluno como pessoa e como cidadão. É ter força de vontade, amor, e disposição àquilo que se comprometeu. É impor limites e dizer o que está certo e o que está errado. É estimular, motivar seus alunos para que prosperem. É ter uma metodologia própria, autentica.
Temos Juvanny como uma lição de vida. Claro que ela sozinha não vai mudar o mundo. Mas se tivermos mais “Juvannys” no mundo, que tenham força de vontade e determinação, com o apoio da elite e das massas, poderemos tornar a educação, que está em uma situação precária –salvo exceções –, para melhor.
Dona Juvanny, exemplo de vida. Toda vez que lembro do texto bate a vontade de passar de novo lá em Santiago do Iguape.
ResponderExcluirri muito com "Fazendo passos com o nível de dificuldade incrível" xD
ResponderExcluirsoucriaticaemodesta.com.br
ResponderExcluir