sábado, 24 de setembro de 2011
Quinta Exentricidade
Momentos de fazer o memorial, tarefa de longe, uma das mais compliacads da vida! Mais complicada porque ter que falar de você com uma carga critica é tremendamente dificil e falar de você na vida escolar é muito mais complicado. Temos essa dificuldade de se definir. Feito o memorial, no dia da aula tivemos que contar o que colocamos no memorial. Isso foi um momento constrangedor, porque eu nao falo de mim para ninguem, normalmente, e falar isso para várias pessoas, e que tenho pouco contato, é sempre complicado. Apesar do stress misturado com vergonha encarei e falei. Outros falaram e tivemos casos interessantes como de uma colega que estudou em colégio onde se ainda tinha o sistema da palmatória, outro que falou sobre a vida no Rio de Janeiro. Além dos curtos monologos feitos, tivemos, como sempre, uma brincadeira ludica em sala para maior aproximação do grupo. Fizemos a brincadeira do nó. Você faz um circulo de mãos dadas e depois andam, passando um embaixo do braço do outro, fazendo com que crie um emaranhado de mãos e braços embolados. Após isso, temos que dar um jeito de desfazer esse nó, sem soltar as mãos. Foi interessante, porque eu troquei algumas palavras com pessoas que nunca me imaginaria falando, mesmo que tenham sido duas palavras: passa aqui! rsrsrsr Minha equipe foi a que conseguiu desfazer o nó, claro né. Modestias de lado, eu estava no grupo! :D Ja no fim, houve a reunião dos grupos das oficinas e adecisão de como seriam as apresentações.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Quarta Excentricidade
A professora Alessandra solicitou que lêssemos o livro de Gilberto Freire, Pedagogia da Autonomia. Freire inicia o livro explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Valoriza o valor do respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto que ele é um sujeito social e histórico. Define essa postura como ética e defende a ideia de que o educador deve buscar essa ética, a qual chama de ética universal do ser humano (p. 16), essencial para o trabalho do educador. Em sua análise fala de itens essenciais para a prática docente, enquanto instiga o leitor a criticá-lo e acrescentar a seu trabalho outros pontos importantes.
Começa afirmando que não há docência sem discência (p. 23), pois quem forma se forma e re-forma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado (p.25), deixando claro assim, o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno. Não há docência sem discência, as duas se explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender (p. 25).
Justifica assim o pensamento de que o professor não é superior, melhor ou mais inteligente, porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o aluno, participante do mesmo processo da construção da aprendizagem.
Afirma também que não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino (p. 32). Esse pesquisar, buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para Freire, saber pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Se o docente faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito.
Ensinar, para Freire, requer aceitar os riscos do desafio do novo, enquanto inovador, enriquecedor, e rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as pessoas em raça, classes... É ter certeza de que faz parte de um processo sem conclusão, apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado, portanto há sempre possibilidades de interferir na realidade a fim de modificá-la. Acima de tudo, ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando.
Trocando em miúdos, Pedagogia da Autonomia é um livro pequeno em tamanho, mas gigante em esperança e otimismo, que condena as mentalidades fatalistas que se conformam com a ideologia imobilizante de que a realidade é assim mesmo, que podemos fazer? Para estes basta o treino técnico indispensável à sobrevivência. Em Paulo Freire, educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a história é um tempo de possibilidades. É um "ensinar a pensar certo" como quem fala com a força do testemunho. É um ato comunicante, co-participado, de modo algum produto de uma mente burocratizada. No entanto, toda a curiosidade de saber exige uma reflexão crítica e prática, de modo que o próprio discurso teórico terá de ser aliado à sua aplicação prática.
Ensinar é algo de profundo e dinâmico onde a questão de identidade cultural que atinge a dimensão individual e a classe dos educandos, é essencial à prática educativa progressista. Portanto, torna-se imprescindível solidariedade social e política para se evitar um ensino elitista e autoritário como quem tem o exclusivo do saber articulado. E de novo, Freire salienta, constantemente, que educar não é a mera transferência de conhecimentos, mas sim conscientização e testemunho de vida, senão não terá eficácia.
Nossa impressão geral do livro é que Paulo Freire escreve e discursa, acima de tudo, com amor pelo que faz. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam, às vezes de maneira sutil, e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra, ao nosso ver, é o significado do ensinar. É com a mais brilhante vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor, onde ambos aprendem, ambos adquirem e sanam dúvidas, ambos crescem como seres humanos. É a mensagem de que para ensinar precisamos, antes de mais nada, ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa, da importância de se poder fazer a diferença num sistema socio-econômico-político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõe de meios financeiros para obter cultura e informação. Enfim, o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar, e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale a pena.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Terceira Excentricidade
Esse terceira excentricidade foi bem excêntrica mesmo. Iniciamos a terceira aula da matéria Didática e Práxis Pedagógicas com uma dinâmica bem diferente. Começamos fazendo um circulo –se é que posso chamar aquilo de circulo –. Após feito este projeto de roda, fomos instruídos a cantar e “dançar” uma antiga cantiga de roda: Escravos de Jó. Fazendo passos com o nível de dificuldade incrível, ao fim de tudo entendemos que esse processo de roda -> canto -> dança foi para uma maior interação da turma, diminuição da vergonha (caso ocorra) que possa surgir e uma possível descoberta de característica próprias de cada um.
Passado esse momento de descontração, começamos e brincar com uma coisa séria. A brincadeira era uma discussão sobre o papel do professor/educador. O ponto de partida para a discussão sobre este assunto foi um texto que nossa professora mandou ler. Este texto aborda a historia de Juvanny, uma mulher pobre, moradora de Santiago do Iguape (uma cidade bem pequena no interior da Bahia), que só tinha estudado até a sétima série. Vocês devem estar se perguntando: “Sim, e daí? Porque dão tanta importância a essa mulher?”. A importância que ela teve não foi para mim, nem para você que provavelmente está lendo. Esta mulher mudou, ou tentou mudar para melhor, a vida de várias crianças dessa região. Ela, leiga, como se refere, abre uma escola. Aí vem outra pergunta: “Só porque ela abriu uma escola ela é tão valorizada assim?”. Não só por isso. Ela não simplesmente abriu uma escola, ela ensinou nessa escola. Ela construiu a mesma com seu dinheiro, seu esforço. Fazia as merendas na sua casa, com sua comida. E não pense que ela tinha dinheiro não, porque ela não tinha. Ela se privava de varias coisas para consolidar seu sonho: ver aquelas crianças melhores que ela. Ela ensina a seus alunos, mas aprende com os mesmos.
Esta mulher guerreira foi entrevistada pelos professores e alunos da UFBA e desse texto, que é a entrevista, podemos extrair vários pontos sobre as características que ser professor/educador tem. Pontos que podemos citar sobre esta questão: ser professor/educador não é simplesmente passar conhecimento, mas se preocupar com a formação do aluno como pessoa e como cidadão. É ter força de vontade, amor, e disposição àquilo que se comprometeu. É impor limites e dizer o que está certo e o que está errado. É estimular, motivar seus alunos para que prosperem. É ter uma metodologia própria, autentica.
Temos Juvanny como uma lição de vida. Claro que ela sozinha não vai mudar o mundo. Mas se tivermos mais “Juvannys” no mundo, que tenham força de vontade e determinação, com o apoio da elite e das massas, poderemos tornar a educação, que está em uma situação precária –salvo exceções –, para melhor.
Assinar:
Postagens (Atom)